Quase três meses e nenhuma notícia. Nenhum comentário inútil de minha parte. Nada. Devo admitir que fui omisso em relação ao blog; mas eu prometi a mim mesmo que não ia abandoná-lo, portanto, aqui estou novamente. Retornando de cabeça baixa à casa. Sinto que tenho muito o que falar, mas não sei se conseguirei articular satisfatoriamente todos meus pensamentos, mas mesmo assim tentarei. Não farei como nas mil vezes em que abri este pequeno painel e apagava tudo que escrevia. Desta vez, será para valer!

Como disse previamente, tenho muito o que falar. Começaremos então pelo óbvio. Estamos no meio do ano, férias! Nunca fiz um balanço de final do ano e pouco menos um de meio do ano pois me parecia muito inapropriado e sem propósito. Não mais. Farei, então, um balanço de meio de ano. Este ano, como vocês já devem saber foi um ano de grandes mudanças na minha vida. Motivos, mais uma vez óbvios terão que ser enumerados aqui: faculdade, morar longe dos pais e mais inúmeras mudanças que decorreram por conta dessas duas primeiras. Foi difícil no começo. Tive que me ambientar com pessoas que não conhecia, adentrar em um círculo basicamente fechado de amizades e fazer coisas relacionadas a isso as quais nunca pretendi fazer. Mas toda minha luta foi válida. Três meses depois de convivência quase que diária, tenho a absoluta e constante certeza de que estou rodeado das pessoas certas. “Marliyn Monroe once said: I believe things happens for a reason..” (momento One Tree Hill, perdão). E eu concordo com nossa estrela hollywodiana. E não posso deixar de pensar nisso no que diz respeito a minha conturbada entrada na faculdade. Precisei passar por uma certa dor e angústia para obter um imenso crescimento pessoal em ter a certeza de que eu criei laços de amizade por mim mesmo, que eu lutei por isso. E, pode parecer idiota para vocês, mas para alguém que nunca teve este papel e que temia isso mais do que tudo, é sim, uma grande barreira vencida. Meus pais dizem que a faculdade me mudou (não no sentido que agora estou usando drogas etc etc etc. Uma ponta de sarcasmo aqui), mas eu não acho isso. Digo apenas que tive que viver com o meu “eu” dentro de um outro “eu”. Sabe aquela sensação que você tem de que a sua vida é um papel branco para construir nele tudo que você quiser? Bem, eu não tive que ter essa sensação. Fui tentado, mas não precisei. É por isso que só tenho motivos para amar cada minuto em Marília. Quanto ao curso, também tenho certeza. É claro que há questionamentos, que há duvidas, mas não há quem tenha tamanha certeza, ou não haveria graça na descoberta. Mas não é este enfoque que quero dar ao meu lixo literal.

É nestes momentos em que eu paro e penso na minha imensa felicidade por conta das pessoas que me rodeiam, que eu temo pelo futuro. Não sei se devo adequar um sufixo negativo ao felizmente, mas eu me apego às pessoas muito rápido. Gosto quando sinto que confiam em mim e gosto da reciprocidade. Mas é este mesmo fator que me faz temer. Neste exato momento, creio que os 3 anos e meio que restam para a nossa convivência não será suficiente. Sim, papos infantis “eu-não-quero-deixar-o-colegial” são bregas, mas é isso que sinto. E me parece que não vou conseguir conviver tudo que gostaria. Esse sentimento estúpido é ainda mais embasbacador anexado àquele outro sentimento que todo avô sempre reclama de que o tempo passa rápido de mais. E como passa, vô! Ontem mesmo eu estava me formando na oitava série e fazendo juras de amizade eterna. O colegial passou como vento, toda a dor de cabeça e todas as lágrimas que o vestibular me causaram é passado e hoje eu estou jogado em uma sala de aula tendo estudando economia. É deveras algo que me surpreende, a rapidez deste tempo. Slow it down, time.. Deixa eu aproveitar minha vida da maneira que eu quero. Eu quero sentir cada música, esgotar cada pessoa, sentir cada momento, chorar cada lágrima, fazer minha barriga doer de tanto rir de cada piada, eu quero me foder de estudar em cada prova, me sentir bem em cada conversa, aproveitar cada nova aquisição, dormir em cada viagem, ganhar em cada partida de truco, beber cada gole de cerveja, rir com a perda de cada ônibus, comer cada kibe amanhecido, ficar cansado em cada ida à rodoviária, morrer de ler cada texto da Pecequilo. Eu quero viver cada momento intensamente, como nunca vivi até hoje!

Bem.. Acho que meu balanço aqui se encerra. Ainda tenho mais a dizer mas acho que não será um balanço. Na verdade, acho que nem o que escrevi previamente foi um balanço.. foram mais pensamentos jogados, pensamentos estes que, admito, foram influenciados por aquele ser que se veste de verde e anda com uma fada. Enfim, o que desejo falar à partir de agora é algo que ainda se relaciona com o meu “pseudo-balanço”.

Lembram-se quando eu cogitei a possibilidade de não conseguir articular bem minhas idéias? É neste momento que vocês podem perceber essa capacidade (sim, capacidade!) que eu tenho. Não sei se o que estou prestes a escrever é o que realmente sinto e não sei se deveria repensar minhas afirmações, mas enfim. O blog sempre me serviu para questionar meus próprios pensamentos diante dos de vocês, então, estou, mais uma vez, aberto a novas idéias. Mas, enfim.. vou falar o que penso mesmo..

A mesma loira atriz citada anteriormente também disse: “People change so that you can learn to let go..”. Na maioria das vezes, eu me sentia alvo e vítima dessa pequena enrascada do destino. Pela primeira vez, quem comete o crime neste filme, sou eu! Sim, a faculdade me mudou. Meu jeito de agir, minhas atitudes, minhas conversas e até meu gosto musical, mas mudou, principalmente, o modo como eu me relaciono com as pessoas. Não sou mais o poço de timidez que era. Sinto, por conta disso, que os meus amigos (com rara exceção de alguns) que aqui deixei não são mais os mesmos de antes. E não por conta deles, como sempre acontecia. Por minha culpa desta vez! Mas não quero fazê-los passar pelo que já passei dezenas de vezes (e não, isto não é uma metáfora hiperbólica). Quero continuar com a amizade prévia, mas parece insustentável. Não me reconforta nada saber que eu não mudei de maneira tão drástica assim. Mas eu sinto que eu sempre tive que me manter de um determinado modo para não ser julgado pelos meus próprios amigos, enquanto que agora não me preocupo mais com isso. É tudo muito estranho, se é que me entendem. Como lido com esse paradoxo? Ainda estou tentando compreender.. Mas toda vez que recuo e olho com uma visão isenta, não posso deixar de me ver como assassino neste crime no qual quem morre é a amizade, construída lentamente. Vivo num misto de euforia e descontentamento. Acho que, no final das contas, meus pais estão certos. Eu mudei.. mas ainda tento mesclar o novo com o velho, mas não sei até que ponto vale lutar pelo velho, e é isso que me faz pensar que ainda não mudei por completo. É óbvio que o passado fez de mim quem eu sou hoje e que fica impossível esquecê-lo completamente.. Ah, crises existenciais.

Enfim.. acho que agora encerrei. Este post estava dentro da minha cabeça desde o segundo mês nesta minha nova vida, mas ainda estava inacabado e confuso. Peço, portanto, desculpas a você, leitor, que, inesperadamente, sentiu falta dos meus posts. Fiquei, sinceramente, lisonjeado com os comentários perguntando onde estaria. Este mundo virtual também nos faz criar vínculos especiais.. Mas isso é assunto para um próximo post. Mais uma vez, desculpem-me. Não previa todo esse tempo longe, mas quando tudo coincide para uma ausência, não há como lutar. Final de semestre, provas, trabalhos, estudos e confusão mental, resultam, infelizmente, em falta de post. Mas, deixando a retórica de lado, prometo que não deixarei o blog tão logo. Sendo assim, despeço-me de vocês, deixando-os com um até logo.

“I believe that everything happens for a reason. People change so that you can learn to let go, things go wrong so that you appreciate them when they’re right, you believe less so you eventually learn to trust no one but yourself, and sometimes good things fall apart so better things can fall together.” -Marlyn Monroe



9 Responses to “sobre abandonos e pessoas.”  

  1. Ai que coisa mais linda, Dani. Seus posts sempre me inspiram tanto, que me assusta. E teve uma parte do que tu escreveu, que eu juro que vou roubar pra mim. :O
    Me identifico sempre contigo, mas é sempre mesmo. Parece que atualmente eu vivo em dois mundos diferentes, um velho, e um novo. E estou deixando o velho mundo para trás, as velhas amizades, e tudo mais, mas temo em não ser a escolha certa. Mas temos que arriscar né, Dani? Só assim saberemos. (:
    A faculdade te fez muito bem, meu. Creio que não há porque de reclamar, afinal, tu perdeu aquela super timidez, e fez novos amigos. Isso é tudo o que há de melhor.
    Te admiro, e muito. Não deixe jamais o blog, me fez um bem inexplicável ler e me identificar.
    Beijos, Dani. Não suma de novo. *-*

  2. Pra variar, sinto que esse comentário será longo. Mas vamos lá:

    Obrigada pelos elogios lá no blog. Sua opinião vale muito para mim, e eu cheguei a ficar corada com o comentário. Eu acho que quando escrevemos exatamente sobre o que sentimos é mais fácil de se articular.

    Mudanças são inevitáveis e eu não acho que você deva se sentir culpado por mudar e seguir com a sua vida. Mudar não significa necessariamente um abandono. Não dê um tom tão pejorativo a palavra! Você não é mais o mesmo e, portanto, não pode sustentar mais as relações da forma que as levava antes, mas não é necessário cortar laços – ainda que, às vezes, isso seja inevitável e não há culpados quando acontece. Eu acho possível um equilíbrio e acho que os outros podem gostar, sim, do novo Danilo. Eu sou como você, nesse ponto, e posso facilmente afirmar que achamos que as pessoas gostam da gente porque temos um determinado comportamento e que se mudarmos detalhes elas irão nos abandonar. É mentira. Elas se adaptam as mudanças da mesma forma que nós nos adaptamos as mudanças delas. Se arrisque, mostre o seu novo Danilo para elas e será surpreendido. Você vai ver que elas gostarão muito mais do seu novo “Eu” – diferente, mas essencialmente o mesmo Danilo de antes – do que da imagem que você quer forçar para tentar se manter fiel a quem era. E, caso não gostem… well, their loss. Não sacrifique sua ascensão por pessoas que não sabem apreciá-la.

    Faz sentido? :D É contraditório mesmo, mas não encontrei muitas coisas que não o fossem, então…

    Quanto a parte do tempo, aproveite o máximo que puder. A vida se divide em fases e eu não acho que precisa se preocupar. A próxima fase, depois da faculdade, pode não ser tão boa quanto a atual, mas tenho certeza que haverá pontos positivos também. E esta é uma característica sua que nunca entenderei… minhas aulas nem começaram e eu só quero que elas acabem. XD

    Beijos e não suma ò.ó

    P.s.: espero que quando diz que seu gosto musical mudou que não esteja agora ouvindo funk e músicas sobre quadrados porque daí seria uma grande, grande, grande decadência e não ascensão. XD

  3. Olha, a única coisa que posso dizer depois de tanto dito, é para você não duvidar da sua capacidade de articulação de idéias. Fiquei presa do começo ao final, querendo saber mais e mais do que você tinha a dizer, pensando nas identificações que encontrei comigo e com passagens da minha vida… Dessas crises que todos vivem, de uma forma até diferente, mas na sua essência acaba sendo a mesma: as mudanças que sofremos, as pessoas que deixamos para trás… É a dor, mas é a felicidade pelo amadurecimento, pela seleção que a vida nos leva a fazer.
    Bjitos!

  4. 4 Brú

    Daaaaaaan!
    Seu coisoooo, que saudadessss! ;OOO
    A faculdade é com certeza um momento de mudanças… eu também sinto coisas assim todos os dias, novos desafios, novas situações delicadas a serem vividas… A gente cresce, e amadurece tão rapido nesse período não é mesmo? Acho que são as responsabilidades que vão sendo jogadas em nossas mãos, muitas como pedras gigantes… o_O E okey, eu to viajando já no seu comentário aqui ahajhaahauah Não repara nisso Dan =x
    Fico feliz por saber que você está bem! Obrigada pelo comentário super querido que você deixou no meu blog, sem dúvida, foi o mais lindo de todos!
    Beijão, se cuida guri!

  5. pôxa..
    é difícil dizer o que eu senti lendo o seu post.
    mais, concordo com você, todos nós temos nossas Crises Existênciais..
    Boa sorte na sua vida, tudo de bom pra você (y)
    abraço!

    p.s.: O Crepúsculo, você vai gostar siim, experimente só começar a ler ;D
    você vai se surpreender (yY)

  6. E aí cara! Beleza? É bom ter “parceiros” nesse mundo blogueiro. Primeira vez que comento aqui, espero voltar e ver que você continua postando! :) Podemos até dar um tempo, mas nunca abandonar. Um abraço!

  7. (A).. só pra dizer que eu atulizei o YESI ;D
    quando der dá uma passadinha lá ;D

  8. 8 Danii

    Dan, você voltou, mano! Fico feliz. Já estava me sentindo frustrada pelos blogs que eu mais gosto estarem abandonados. E já estava planejando uma chantagem pra te fazer voltar, mas ainda bem que não foi preciso.

    Eu disse aquilo no post de querermos esfregar nossa alegria na cara dos outros porque eu sou assim. E muito. E tento fazer isso mesmo com as coisas mais simples. Estúpido, eu sei. Mas eu tenho minhas imbecilidades humanas.

    Agora, vamos ao seu post – que eu tanto esperava…
    Eu não farei meu balanço de meio de ano, porque eu vivo fazendo isso quase que mensalmente, senão semanalmente. Faço pra mim mesma, me repito as coisas que aconteceram, o que aprendi, o quanto cresci, o que eu senti. Como se eu o fizesse não só pra entender tudo, mas pra guardar bem guardado cada centímetro de acontecimento, de sentimento. No final do ano, quero olhar pra 2008 e dizer: ‘não foi o que eu queria, foi muito mais emocionante’. Tenho certeza que o falarei. Os primeiros sete meses já valeram pelo ano todo. E ainda tem tanta coisa pra rolar! Não é o melhor ano. Mas é um ’superano’. E, espero fechar tudo com a aprovação na Fuvest. E esfregar isso na cara de todo mundo – o que não vai ser nada difícil, até porque minha escola vai querer fazer o mesmo, já que vai ser a primeira aluna de lá aprovada em vestibular assim. Agora, fico ansiosa pelo próximo ano, é tudo tão incerto. E, por mais que eu vá sentir falta da minha escola, das minhas pessoas, dos meus professores, estou animada com a idéia de uma vida nova, um ambiente novo, pessoas novas. Preciso me renovar. E essa necessidade veio na hora certa. É, parece mesmo que things happen for a reason..

    É bom mudar. Mesmo que o novo seja estranho, logo a gente se acostuma e não quer o velho mais. Mas isso leva um tempo. Precisamos nos desapegar do velho pra abraçar o novo por completo. E, antes disso, vivemos aquela transição confusa e que, em palavras, vira um amontoado de antíteses. E na realidade, vira um amontoado de sentimentos contraditórios, de atitudes contraditórias. Acredito que ainda é assim que você se sente, mas logo você será um novo Danilo. Por inteiro. (:

    Um abraço e não nos abandone mais :*

  9. 9 Danii

    E o tamanho do comentário foi proporcional ao do post. Sorry… >.<

    :D


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