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retrocesso, sim!
Depois de minha primeira prova (Economia), posso dizer que tenho até o fim do mês para respirar assim como todos os seres têm o direito de respirar. Entender e decorar vinte perguntas para fazer apenas quatro não foi nada fácil, mas eu consegui. Acabei a prova de maneira satisfatória e, por isso, posso, agora, respirar calmamente e não ficar mais nervoso com a primeira prova da faculdade. Mas não é isso o que vim discutir aqui.
Não devo ter comentado, mas estou morando em uma pensão aqui, já que foi literalmente inviável acharmos um apartamento para mim, limpá-lo, mobiliá-lo e ver toda a papelada que precisaríamos preencher em um único dia. Sendo assim, a pensão foi mais viável, mais rápido e, por conseguinte, mais caro, obviamente. Mas, estou adorando cada minuto aqui. A maioria (percebam que nunca são todas) das pessoas aqui são muito legais e vi que poderia passar anos aqui sem reclamar. Há duas meninas que fazem Ciências Sociais e eu converso muito com elas. Esses dias, estávamos discutindo inúmeras coisas, e o assunto indígena caiu no nosso papo. Eu, inocentemente, disse que, a meu ver, o modo indígena de viver era um retrocesso a tudo que alcançamos hoje. Essas duas meninas quase morreram a hora que eu falei isso, e, depois, me senti muito mal por ter soltado um comentário tão inoportuno e preconceituoso.
Entretanto, coloquei-me a pensar após o ocorrido, mas não pude chegar a conclusões diferentes do que o meu comentário anterior. Não estou desmerecendo a cultura indígena, nem justificando os inúmeros ataques culturais que eles vêem sofrendo desde sempre, nem as retiradas territoriais que são obrigados a se submeterem. Não é isso. Eu compreendo que a cultura indígena é diferente da nossa. Mesmo assim, não consigo deixar de vê-la como um retrocesso. Talvez, ou melhor, com toda certeza, meu comentário aqui ainda é cheio de preconceitos e o máximo de etnocentrismo possivelmente encontrado em algum comentário.
Mas, eu me pergunto, às vezes, se fazer meninos passarem por “rituais de iniciação”, que basicamente fazem-no provar sua masculinidade ficando dias dentro de um rio de lama, ou pegando um cacho de abelhas (cheio de abelhas, por sinal) ou qualquer um desses rituais canibalísticos. Sim, para mim isso é retrocesso. E não consigo pensar que não seja! Pode ser deveras fascinante estudá-los do ponto de vista das Ciências Sociais, entender sua hierarquia, seu modo de convívio social, acredito nisso.
Além do mais, não há uma vez que os índios não sejam mostrados na TV (sim, sei que não estou observando o meio de enriquecimento cultural mais confiável) que não estejam com roupinhas dos seus times de futebol preferidos, ou usando a internet em um laptop. Culpa do capitalismo selvagem? Talvez. Eu ainda continuo acreditando que isso só acontece por conta de aceitação do “povo dominado”. Eu, honestamente, se fosse índio, iria adorar que os capitalistas interviessem dentro da minha tribo. Claro que, falo isso, porque já sei o que sou e como as coisas funcionam.
Estou com muito receio que, mais uma vez, minhas palavras não sejam compreendidas, mas preciso correr o risco. Eu acho válido qualquer tipo de discussão, inclusive quando essa discussão afeta princípios morais. O blog para mim é uma maneira de entrar em contato com idéias diferentes e isso para mim é crescimento. Depois volto, falando mais alguma coisa legal, quem sabe.
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luto?
Esse será provavelmente o post mais ridículo que terei, mas não consigo me conformar com certas coisas, e preciso comentar.
Como se fosse alguma novidade para todos nós, a menina Isabella está morta. Não, eu não quero saber quem foi. Pode ter sido brutalidade, o pai pode ter problema mental, o que for! A menina está morta, pronto! Digo, é algo ‘fora do comum’, mas todos já ouviram o suficiente. Já vimos a cara dela suficiente. As dos pais suficiente. Nos poucos minutos que assisto de TV, tudo o que ouço é Isabella. Há um programa, que eu não sei ao certo o nome, que resolveu dedicar seu espaço somente ao caso, e aos ‘recadinhos’, é claro!
Até aí, tudo bem! Coisas chocantes dão audiência, e eu, sinceramente, adoro ver as visões dos advogados e psicólogos que adoram analisar o caso. É uma risada melhor que a outra, vocês deveriam ver. Fora que essa reconstrução do crime deve ter sido hilariante. Se eu passasse na rua eu iria rir olhando aquela boneca sendo jogada. E não estou sendo insensível nem desqualificando o trabalho de quem a faz; Eles devem ter feito a boneca à imagem e semelhança da menina. Para dar um toque dramático, como se fosse necessário. Mas o que não compreendo, é a razão, que por ser razão deve ser lógica, das pessoas ficarem colocando fotos&vídeos da infeliz da menina em todos os possíveis meios de comunicação via internet. Eu não entendo. Ela é sua irmã, sua prima, sua filha ou qualquer grau de parentesco, mesmo que distante, com você? NÃO!
Você não precisa expressar sua grande tristeza e derramar suas lágrimas para ela. Nem para a família dela. Meu Deus, há coisa mais inútil? Eu, realmente, não entendo. Luto não é algo insignificante. Não é algo que se possa mostrar comumente. Mas, aparentemente (ou não!), é algo que se pode fingir. Eu tenho vontade de perguntar, de verdade, a razão pela qual alguém é levado a agir de tal maneira (eu me refiro às fotos&vídeos, não ao crime em si). Sem explicações plausíveis, sem desculpas aceitáveis. Quem age assim não tem motivos para isso. Mobilizou o Brasil? Ótimo! Acontece que, normalmente, precisamos de um episódio de CSI a cada ano, mas, sinceramente, fazer do programa um especial de 48 ininterruptas horas é desnecessário, senão exagero.
Não estou sendo sensacionalista e jogando pedras na mídia (mesmo que ela mereça), nem falando que o governo está aprontando com seus mensalões novamente enquanto todos estão preocupados com essa infeliz. Não que isso não possa acontecer; A infeliz morreu. Uma dentre milhares de crianças que são mortas todos os dias. Mas, para ser sincero.. Bem no fundo da minha mente, eu aposto que ela está felicíssima em ver a imensa compaixão que o Brasil teve por ela. Aposto que ela se arrepende de não ter vivido um pouquinho mais, para ver sua cara estampada nos orkuts dos imbecis por aí!
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mudanças.
Aqui estou. Depois de meses sem contato. Foram dias sem notícias. Explicar-me-ei; aos poucos. Depois de meu último e desesperado post [ainda no vodca], muita coisa aconteceu. Estava sem motivação nenhuma. Nem para a minha vida, quanto mais para o blog. Passei dias olhando para o além e pensando em uma razão que fosse no mínimo plausível e que respondesse a minha pergunta: “Porque eu não fui chamado. Porque fiquei por uma mísera vaga para entrar?”. Sendo assim, começei meu cursinho. Estava realmente estudando. Tudo que não estudei no colegial estava me matando para estudar no cursinho. E estava gostando dessa oportunidade. De começar tudo novamente. Já do 9 [e não do zero]; com um enorme sentimento de incapacidade que era inevitável.
Então, dia 2 de abril, quando minhas esperanças já eram mínimas, recebo uma ligação. PASSEI! Toquei minha mula para Marília e entrei numa vida diferente daquela que levava até o momento. Sozinho, comprovei que teria que fazer as coisas por mim mesmo, sem papai e mamãe ao meu lado. A vida é, obviamente, passível de mudanças. E ela, em seu formato mais puro, se mostrou a mim. Mudei de casa, de amigos. Mudei minha rotina, meus pontos a serem estudados. Mudei minha tolerância, minha ignorância. Sendo assim, não poderia deixar de mudar de blog. Havia me cansado do vodca. Queria deixar aquele momento da minha vida para trás. Não abandoná-lo, apenas deixá-lo de lado e viver o presente.
Agora, estou feliz como nunca estive em toda minha vida. Toda vez que entro na faculdade e vejo “UNESP, campus Marília – Faculdade de Filosofia e Ciências” vem uma felicidade. Quando consigo conversar com alguém e ver que fui eu mesmo que plantei tal amizade. Quando vejo que criei a adptei minha vida do jeito exato que eu gostaria que fosse. É uma felicidade inexplicável. Uma animosidade eufórica.
Peço, então, desculpas pelo tempo que passei fora devido as minhas frecuras de não dar notícia. As minhas faltas de responsabilidade com o blog. Mas, sempre soube que não iria abandoná-lo.
Inicia-se então, um novo blog. Uma nova vida. Novas chances.
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